Sempre que chega um aluno novo, ouço as mesmas questões: “não consigo fazer esse equilíbrio” ou “quando vou alcançar com as mãos no chão?” Ou ainda, “posso experimentar fazer a variação mais avançada?” As respostas são sempre as mesmas… não tenha pressa, o caminho é assim mesmo, no início pode custar, mas depois fica mais fácil, desfrute da jornada… Eu compreendo a sensação de quem começa a dar seus primeiros passos no yoga, a ansidade de não querer ficar para trás e a frustração por ainda não conseguir nem sequer ficar estável num pé só!

Nos primeiros tempos de prática, é fácil perceber uma série de transformações que surgem. Logo depois da primeira aula sente-se o corpo mais leve, ficando mais relaxados, dormindo melhor; nas primeiras semanas nota-se uma melhor concentração, mais energia, maior vitalidade; ao fim de poucos tempo o corpo já se ajusta melhor às posições, sentindo-se mais leve.

Passados alguns meses essas “melhorias” passam a ser como bens adquiridos, os corpos com os níveis energéticos reestabelecidos ficam agora habituados a este novo bem-estar e por vezes o praticante pode acomodar-se e até esquecer-se de que ainda tem grandes passos para dar nessa jornada.

Como se fossem cascas de uma cebola, o trabalho vai sendo feito camada após camada, a partir do que é mais externo e mais denso até a parte mais interna e subtil.

Se na primeira camada o desafio é lidar com as tensões ou com o equilíbrio, nas camadas mais internas vamos balançar os bloqueios emocionais e mentais, questionar condicionamentos e buscar mudanças de comportamento e formas de pensamento.

Ufa! Parece um grande desafio? Pois parece… mas o maior passo ainda não foi dado, a última camada da cebola a ser retirada é a mais interna, mais profunda. É quando reconhecemos nossa existência como essa presença além do corpo, da energia e da própria mente. Quando reencontramos nosso verdadeiro Eu; aí é que todas as peças se encaixam e tudo faz sentido.

Antes disso, resta-nos desfrutar do caminho.

Com passos firmes e decididos, sem dúvidas, sem bloqueios, apenas dando um passo de cada vez.

Assim vamos nós!

 

Namastê