A triologia da mudança e evolução

Medicina, desporto, psicologia, psiquiatria e religião são temas incontornáveis na nossa actualidade.

Todos ouvimos as recomendações dos médicos e da OMS. Sabemos que fazer exercício faz bem “ao corpo e mente”. Acreditamos que os que têm uma “doença mental” ou sofrem do mal dos “nervos” (nós não…) devem fazer psicoterapia ou ser seguidos por um psiquiatra. Sabemos também que existem várias religiões no mundo e, claro, vários deuses, santos e vários sistemas de crenças, várias dogmas, filosofias de fé e consequentes prescrições ou até proibições.

Sabemos que os profissionais da psique podem ser úteis em vários contextos (…) e, se tiver mesmo que ser, se nenhuma das outras soluções funcionar, para as depressões e outras maleitas e fraquezas humanas.

Alguns de nós (muitos) sabem ainda que António Damásio já se encarregou de desmentir Descartes e defender Espinosa e de nos explicar que não há separação entre o corpo e a psique. Que o cérebro é um órgão, tal com o coração e os pulmões, e que tomamos decisões e conhecemos o mundo usando todo o corpo e todos os sentidos. Sabemos que os profissionais da psique podem ser úteis em vários contextos, nas empresas, no ensino e até no marketing, e em várias circunstâncias da vida comum: divórcios, separações, decisões sobre que curso e profissão escolher e, se tiver mesmo que ser, se nenhuma das outras soluções funcionar, para as depressões e outras maleitas e fraquezas humanas. Sabemos da existência de várias religiões. Há quem prefira uma às “outras”. Quem rejeite todas ou tenha dúvidas. Há os que sentem o apelo de “uma” fé, em nome da qual se guiam e tentam inspirar, guiar e evangelizar o resto de mundo, em nome da qual lutam e conquistam. Estes processos podem ser mais benignos e bem intencionados ou mais perversos e até destrutivos.

Quando cada um de nós estagna, o mundo não muda e a evolução não acontece.

Somos apegados à “propriedade” e aos vários “objectos” que nos pertencem. Defendemos acerrimamente a nossa propriedade e, como tal, além dos telemóveis, dos carros, sapatos, jóias, dos computadores e tablets, também defendemos a nossa verdade, como um objecto do qual somos proprietários. Comunicamos a nossa verdade com a nossa aparência e com a nossa linguagem, não largamos os nossos rótulos e etiquetas. Por tudo isto e porque somos “apenas” humanos, na nossa defesa também agredimos e, na proporção em que nos apegamos aos nossos rótulos, estagnamos. Quando cada um de nós estagna, o mundo não muda e a evolução não acontece.

Saúde integral, ética, fé, liberdade e intuição… Não será esta a receita universal para a felicidade e evolução…? Não será esta receita transversal a todas as culturas e religiões, a todos nós humanos…?

Olhe, pense e sinta para além das etiquetas e dos rótulos, através da “embalagem”, das suas e das dos outros. Questione(-se) e desarrume(-se) para encontrar uma nova organização… Caso contrário, fora de si (tal como dentro… mas isso será outra longa conversa…) ficará apenas uma imensidão de “tralha”. E isso seria, certamente, um enorme desperdício.

Mudar é SER. Manter é FICAR.

No fundo todos sabemos, porque intuímos, que saber de cor as regras do bem e do mal, do certo e do errado resolve apenas uma muito pequena parte dos nossos problemas. É na crise e na mudança que descobrimos quem somos. Mudar é SER. Manter é FICAR.